Pois bem, adiante.
Se considerarmos que fait divers é, no sentido amplo, o apelo da notícia para a emoção, pode-se dizer que essa é uma forma legítima de comunicar desde que usada com ética e bom-senso. É cabível que seja publicada uma matéria altamente emocional se o propósito for, por exemplo, sensibilizar o leitor para que este ajude um indivíduo necessitado.
O que Barthes denomina de repetição dentro da categoria coincidência parece ser um prato cheio para o jornalismo online - e até mesmo para o impresso.
Sabe-se que o número de acessos em um site está relacionado com a receita da empresa a partir da venda de espaços publicitários, logo, quanto mais notícias forem publicadas, maior deverá ser o número de acessos. Essa condição talvez empurre o jornalismo online para a repetição.
A repetição pode ser usada de forma deliberada, inundando o site de notícias irrelevantes para um fim questionável a partir da ética jornalística.
Todavia, a repetição pode acontecer naturalmente.
Se é preciso cativar a atenção do leitor para que este entre, permaneça e retorne à página virtual, tem de haver notícias que lhe prendam nesse lugar. Sou convicto de que sempre há uma pauta interessante por aí à espera de um jornalista, mas pode ser que ela não esteja assim “tão à vista” e o profissional tenha de recorrer a um assunto não tão relevante, mas que gere interesse no leitor. Nesse caso o jornalista pode se tornar refém da repetição ao publicar uma matéria ou fazer uma suíte de um assunto já batido.
Não creio que a repetição seja um pecado capital, penso que ela seja muito comum no jornalismo; não sendo feito de forma má intencionada, tudo bem.
Em relação às categorias estabelecidas por Barthes, tenho a impressão de que ele caracteriza apenas notícias em si. No entanto, acho que podemos falar sobre manchetes embebidas do apelo emotivo.
É perceptível que a internet é mais dispersiva do que uma tropa de choque lançando gás lacrimogêneo na multidão; o que está na tela do computado precisa, de verdade, captar a atenção do leitor. Dito isso, afirmo que, em determinadas manchetes, possa ser usado o apelo emocional com esse propósito. Porém, saliento que isso só deve ser feitos em certos casos, sob uma avaliação do jornalista a partir de princípios morais e com a condição de que a manchete, mesmo apelativa, seja coerente com o que há no texto, pois o intuito não é enganar, mas “sequestrar” a concentração do leitor.
